2 de julho de 2012

As ‘diferentes’ Ana Carolina

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Artista fala sobre seu estilo musical, canções polêmicas e gosto pelas artes plásticas


Garra, talento e dedicação são algumas das palavras que definem a imagem de Ana Carolina. Ao ouvir a voz de Ana, o que fica é a sensação e a certeza de que a artista é uma dessas consagradas cantoras que cravou com força seu nome na história da música popular brasileira. Além de ter ganhado projeção com suas músicas românticas, Ana também polemizou através de certas canções, como “Eu Comi a Madonna”. “Não busco a polêmica pela polêmica, mas músicas como essa refletem meu modo de encarar a vida”, disse em entrevista concedida ao JC.
Polêmica ou romântica, ou as duas coisas ao mesmo tempo, a compositora é atração em Bauru no próximo dia 13 de julho (sexta-feira), com show que vai apresentar seus principais sucessos no Espaço Bauru Eventos, a partir das 23h30. A casa abre às 22h.
Uma carreira de êxito tem acompanhado o trabalho da cantora desde o lançamento de seu álbum de estreia, “Ana Carolina”, em 1999. Desde então, Ana se tornou uma das maiores vendedoras de discos do Brasil e campeã de execuções nas rádios. Ela diz que, depois de dez anos de carreira, está mais seletiva nas escolhas. A artista ainda revela o gosto pelas artes plásticas, já que, desde 2010, tem feito turnês dentro do projeto “Ensaio de Cores”, através do qual expõe suas telas nos locais onde se apresenta.
Para o show em Bauru, em homenagem à sua carreira e ao público, Ana Carolina selecionou canções de diversos momentos dos últimos dez anos -  dos sucessos iniciais “A Canção Tocou na Hora Errada” e “Nada pra Mim” ao repertório completo do disco “N9ve”, que inclui a parceria entre a cantora, Antônio Villeroy e o americano John Legend em “Entreolhares”. Confira a entrevista com Ana:

JC -  Você percorreu vários lugares com a turnê Ensaio de Cores, que mistura sua música com exposição com telas de sua autoria. Como surgiu essa ideia e o gosto pela pintura?
Ana Carolina - 
 Surgiu do desejo de fazer um show na contramão do que vinha fazendo, grandes produções para grandes públicos. O Ensaio de Cores tem um formato mais intimista e assim me senti à vontade para mostrar esse meu lado que o público desconhecia.  Sempre gostei de pintar, mas de dez anos pra cá, essa relação ficou mais séria -  fiz aulas e os amigos artistas plásticos e galeristas me incentivaram a expor. Hoje, compro minhas tintas, pincéis, faço minhas misturas, me envolvo com a tela, questiono meus traços. É como uma relação de casamento com  as telas.  E tem muito da minha música nas telas.
 
JC -  Como será o show em Bauru?
Ana Carolina -
  Esse é um show pra fazer o público feliz e cantar junto comigo os meus maiores sucessos.

JC -  Você se lembra de algo de Bauru quando esteve aqui?
Ana Carolina -
  A passagem foi rápida, mas lembro do público bem informado e caloroso.
 
JC -  Você começou sua carreira em 1999 e se tornou ícone da MPB. As pessoas lembram da Ana pelas músicas românticas, sempre com o violão. Há outras facetas também da Ana Carolina?
Ana Carolina - 
 As músicas românticas tiveram grande projeção, mas canções com pegada mais rock como “Garganta” e sambas como “Cabide” fazem parte do meu repertório desde sempre. No meu último álbum canto “Você não sabe”, do Totonho Villeroy, que tem esse estilo “dedo em riste” e o samba “Pra tomar três”, minha primeira parceria com o Edu Krieger.
 
JC -  As músicas de seu último CD versam sobre temáticas específicas? Quais?
Ana Carolina -
  Como o show aborda o universo das artes plásticas, procurei canções que traduzissem o conceito como “Rai das Cores” do Caetano, “Azul” do Djavan, compus “As Telas e Elas”, canto “Carvão”...  juntei canções que sempre quis cantar, composições minhas que ainda não tinha cantado e mais algumas surpresinhas (risos).
 
JC -  Você também polemizou com certas canções, como “Eu Comi a Madonna”...
Ana Carolina -
  Não busco a polêmica pela polêmica, mas músicas como essa refletem meu modo de encarar a vida.

JC -  Em um dos seus discos, “N9ve,”, você expôs uma aliança entre cantoras brasileiras com astros da música norte-americana. Como foi essa experiência?
Ana Carolina -
  Foi um disco desafiador, com parcerias inusitadas como as de John Legend, Esperanza Spalding e arranjos do Arthur Verocai. Tanto o John quanto a Esperanza, além de já terem ganhado vários Grammys, são artistas/compositores incríveis que admiro muito. Foi maravilhoso estar com eles e criamos uma amizade pra vida toda. Eu adoro tocar e trocar com músicos dos mais diferentes estilos; para o DVD procurei unir os artistas mais novos e os veteranos, portanto Maria Gadú, Roberta Sá, Maria Bethânia e Zizi Possi ali no mesmo lugar. Eu tinha acabado de fazer uma parceria com Gil e o Mombaça, chamada “Torpedo” e quis registrar este momento. Já tinha cantado com Angela Ro Ro em alguns shows a música “Homens e mulheres”. Sou fã do Melodia há muito tempo e “Cabide” caiu como uma luva pra este dueto. Seu Jorge, companheiro de guerra já há muito tempo, arrematou “Tá rindo é”. Acho que foi um excelente resumo dos meus dez anos de carreira.

JC -  E quais os futuros planos?
Ana Carolina - 
 Pretendo levar meu show para onde ainda não apresentei aqui no Brasil e para o Exterior. E quem sabe até o fim do ano um novo disco.

Fonte: JC net

“Eu respeito muito a música e ela me dá isso de volta...”- Ana Carolina